
Nenhuma existência é em vão. . .talvez, essa é a semente que foi plantada em todos nós hoje, após assistir ao espetáculo "Luis Antonio - Gabriela" no CCSP. Kafka, Van Gogh, e muitos outros tantos, partiram dessa existência, com a certeza de que sua trajetória por esse mundo nada significou. . .Luis Antonio, ou Gabriela, certamente experimentou essa sensação, esse sentimento. . .O que a Cia Mungunzá de Teatro e o grande diretor Nelson Baskerville nos mostram é exatamente o contrário: Nenhuma Existência é em vão. . .somos todos "Luis Antonio" ou "Gabriela", não importa se faremos parte, ou não, da horda histérica dos "vencedores", se faremos parte, ou não, do coro dos contentes, não importa se nossa vida poderá ser medida ou quantificada pelos prêmios, louvores, pódios, ou pela moeda mais cobiçada - o reconhecimento. . . nada disso importa. . .o que importa é que nossa simples passagem por esse mundo, já é por si só, um evento extraordinário. . .para tudo, há um propósito. . . agora que não consigamos aceitar, ou compreender, é uma outra história, e aí só o tempo, esse sábio que tudo vê e nada fala, poderá dar fé disso, ou não. O que o espetáculo crava na alma é a esperança.
A Cia reestréia o espetáculo no Galpão do Folias, em São Paulo, no dia 13 de maio. Se eu fosse você, não perderia por nada desse mundo.
A Cia Mungunzá de Teatro e o espetáculo "Luis Antonio - Gabriela" por serem sinceros e autênticos, resgatam o termo "experimental", que há tempos aqui em SP vem sendo literalmente estuprado e usado como sinônimo de 'qualquer coisa'. Não, meus queridos "artistas" dos botecos-teatros, para ser um "Luis Antonio - Gabriela" tem que ser muito macho. . .



